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Hoje estou irmanado com Hamlet, o príncipe da Dinamarca, personagem de William Shakespeare. Na casa vazia, o espírito de solidão e angústia me assola. Procuro amigos pra dialogar e não os encontro. Parece que a vida tratou de retirá-los todos de meu convívio quando o que eu mais queria era uma palavra amiga e de conforto. Estou impregnado de uma ansiedade boba, sorrateira e inquietante que me persegue há horas, talvez dias, dando-me a impressão de que tudo pode explodir ou implodir a qualquer instante em mim. É uma fase absurdamente tentadora para pensar em coisa nefastas, cruéis e aterrorizadoras. Talvez pensar em envenenar Gertrude ou Claudius. Ou agarrar-me aos pés de Ofélia no funeral insano e injusto. Atar-me aos pés e mãos da virgem no lago e ficar submerso nas águas banhadas pela sua pureza. Hamlet tem me dado as mãos nesses dias. Tem andado junto comigo por caminhos tortuosos e indesejados, tem sido fraterno ao me deixar possuir as suas reflexões e seus medos. Mas não tem dividido comigo soluções porque ele mesmo não as tem. Foi ele quem me deu a palavra bruta pra lapidar agora e transformar em catarse, em fluidez , brotando o sentimento que transborda em mim. Loas e flores a Hamlet, o amado príncipe da Dinamarca! Que me despeça dele com a certeza de que tomadas as decisões morrerei simbolicamente com o cerrar das cortinas e o fim do espetáculo.