“Muito teria de dizer sobre esse contentamento e essa ausência de dor, sobre esses dias suportáveis e submissos, nos quais nem o sofrimento nem o prazer se manifestam, em que tudo apenas murmura e parece andar nas pontas dos pés. Mas o pior de tudo é que tal contentamento é exatamente o que não posso suportar. Após um curto instante parece-me odioso e repugnante. Então, desesperado, tenho de escapar a outras regiões, se possível a caminho do prazer, se não, a caminho da dor. Quando não encontro nem um nem outro e respiro a morna mediocridade dos dias chamados bons, sinto-me tão dolorido e miserável em minha alma infantil, que atiro a enferrujada lira do agradecimento à cara satisfeita do sonolento deus, preferindo sentir em mim uma verdadeira dor infernal do que essa saudável temperatura de um quarto aquecido.”
(O Lobo da Estepe, Hermann Hesse, trad. Ivo Barroso)
Maio 9, 2009 at 3:27 pm
Olá,
Belo Blog.
Herman Hesse é simplesmente Maravilhoso, me sinto igualmente esse trecho do lobo da Estepe, não consigo me acostumar com a temperatura do quarto aquecido, sempre buscando novos significados, em busca de sentimentos.
Bjos e ótimo final de semana
Maio 12, 2009 at 8:45 pm
Ainda não cheguei a lê-lo, mas é um dos que pretendo logo. É muito bom.
Abraço do Búfalo
http://naoserouser.wordpress.com/
Maio 12, 2009 at 11:57 pm
Nossa, você escreveu muito! Vou voltar com calma para conferir
Bjo!