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MEU DEUS ME DÊ A CORAGEM – Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

ORFÃ NA JANELA – Adélia Prado

Estou com saudades de Deus,
uma saudade tão funda que me seca.
Estou como palha e nada me conforta.
O amor hoje está tão pobre, tem gripe
meu hálito não está para salões.
Fico em casa esperando Deus,
cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,
querendo um pôster dele, no meu quarto,
gostando igual antigamente
da palavra crepúsculo.
Que o mundo é desterro eu toda vida soube.
Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai pra casa onde está meu pai.

Imagem: O olho de Deus – Nasa

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Mais de um mês distante desse espaço. Era preciso voltar. Nesse tempo tanto aconteceu. Aos que deixaram sua força para minha gatinha eu agradeço muito. Ela foi cirurgiada e sobreviveu à operação tendo reagido melhor do que esperávamos. Ando ansioso agora com a situação de meu pai que, aos 75 anos, começa a ter crises de esquecimento. Estamos em fase de diagnóstico, fazendo mil exames e torcendo pra que nada de ruim venha a acontecer.

As leituras começam a ser retomadas e as decisões do trabalho inevitavelmente começaram a aparecer. Estou envolvido em mil projetos. Monitoria, coordenação, extensão, aulas e possivelmente estudos para o doutorado. Prometi que não voltaria a me preocupar com esse danado, mas vejo que se quiser realmente me firmar por aqui preciso realmente dele, uma vez que, o que tenho percebido é que mestres andam cada vez mais em desuso e não estão nada in. Por isso, é hora de por a mão na massa, ou melhor, os olhos nas leituras e começar a ir pensando meu projeto ainda para esse ano. Ele está lá nas minhas resoluções para 2009 se alguém ainda lembra.

Falando nelas, é interessante ver como boa parte acaba sendo descumprida naturalmente, como as coisas sempre tomam rumos inesperados na nossa vida. Esses dias tive que suportar minhas próprias pressões psicológicas e ter muita sabedoria pra tomar uma decisão árdua que poderia mudar completamente o rumo da minha vida: optar entre um concurso distante da família e, passando, ter uma situação financeira amplamente melhor ou estar perto dos que amo, ganhando bem menos e apoiando meu pai nesse momento difícil?. Entre tantas escolhas que já fiz e entre tantas abdicações deles por mim, pesei o emocional aliado ao racional. Posso esperar um pouco mais, deixar meu egoísmo de lado, ser paciente, usar minhas virtudes e saber que, se ainda tenho forças pra lutar, seja hoje ou amanhã, a vitória virá. E para a felicidade geral da família, fiquei. Sinto que sou uma espécie de porto pra eles e cheguei muito longe, um caminho que dificilmente eles poderão percorrer. Tenho um amor imenso por eles e uma necessidade tremenda de ajudá-los. Isso me conforta e me faz querer ir cada vez mais longe.

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Cruzou os dias com a lança da angústia cerrada no peito. Como um cavaleiro lutando pela própria sobrevivência, digladiando com ele mesmo, não se entregou . Nesse inconstante e quase fatal momento, quando ainda lhe restavam esparsos, parcos sopros de vida agarrou-se à agulha atravessada na mão, convertida em densas gotas de redenção e com ela recosturou as linhas da vida.

Fonte da imagem: http://www.jrcigarblogs.com/?p=2597

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Se você tivesse que optar entre a vida e a vida? E se tivesse que optar entre a vida e a morte? Entre a vida de um estranho e a morte de um conhecido ou o contrário? E se a vida do conhecido estivesse atrelada à do estranho? Pois é, é uma decisão dificílima de se tomar. Quando criança ou adolescente, até mesmo já adulto, sempre via  na tv casos qu figuravam a dolorosa decisão de manter a mãe viva e matar o filho na hora do parto. E já ouvira de minha mãe um caso da mulher de um conhecido nosso que morrera com o bebê na barriga. Talvez me achem doido em transferir essa história para o caso de um animal, mas notem que aqui estamos falando de VIDA e para mim tudo que respira, se move, cresce, tem dor, fome, sede, necessita de carinho é ser vivo e merece o nosso respeito por se encontrar no mesmo patamar que nós.

O problema é com a minha gatinha Circe. Após ter tido os bebês de sua segunda cria tudo indica que ela entrou novamente no cio. Mas gata de cio silencioso é coisa difícil de se identificar. Ela não dá quaisquer sinais de que está nessa fase. E olhe que gato é um bicho escandaloso quando está no cio. 60 dias após o parto, depois do desmame, ela começou a querer andar pelos telhados e aí não deu mais pra segurar. Pior também foi não termos ouvido ou visto quaisquer sinais de envolvimento dela com os gatos. Ela ia e voltava, mas sem barulhos. Acreditando que ela pudesse apenas estar querendo sair, duas semanas depois nós a levamos ao veterinário para verificar se ela estava prenhe e ele não acusou sinais. Devido a esse fato, por não estarmos em condição de fazer a laqueadura, aplicamos a vacina anticoncepcional, que na verdade é uma bomba de hormônio. Depois do esclarecimento de todo o mal que esta vacina traz não recomendo a ninguém que faça aplicação deste tipo de produto em seus animais. A melhor opção é mesmo a laqueadura. A vacina poderá causar câncer de mama ou mesmo a piometra, uma espécie de infecção uterina que poderá causar a morte do animal em até 48 horas, quando a doença estiver em estágio avançado.

O fato é que depois de 45 dias de aplicação Circe começou a inchar e aí pensamos no óbvio: está prenhe. Inevitável fato. Levamos ontem novamente a 2 veterinários, desta vez não mais na mesma clínica. Na verdade, o que os dois acham é que ela teve um forte distúrbio hormonal em virtude da vacina. Os fetos estavam lá, foi o que se supôs, mas eram muito difíceis de serem detectados, tanto que o veterinário apenas teria certeza disso se fizéssemos um raio-x da barriga dela. Mas aí veio a nossa preocupação entre a indicação de um hemograma e um raio-x e a decisão de deixarmos os fetos se desenvolverem. Faltam exatamente 17 dias pra o fim da gestação e tudo indica Circe desenvolveu a piometra, diagnosticado devido ao volume uterino. Acredita-se que a doença esteja em estágio inicial e tem cura com remédios ou com a retirada do útero. Um dos problemas está em saber se os fetos são viáveis ou não. Eles podem estar mortos ou nascerem deformados e a vacina impediria que a gata tivesse as contrações e a força necessárias para expelir os gatos e, provavelmente, morreria no parto.  Diante de todo esse quadro resolvemos optar pela vida de Circe. Vamos operá-la, retirar o útero e com isso, também, retirar os fetos em desenvolvimento. Vou pedir ao veterinário que sequer me mostre alguma coisa. Uma decisão como essa é como escolher a morte de crianças, é um aborto. Acho que essa situação serviu pra me alertar sobre uma grande questão: que a vida prevaleça e que façamos o máximo para conservá-la. Erramos? Sim. E esperamos nunca mais repetir esse erro. Que tudo corra bem na cirurgia e que logo possamos estar novamente brincando com nossa menina. Fico aqui de coração na mão, enquanto ela está sendo cirurgiada. Exagero? Não! Amor.

Nossa, que surpresinha boa! Pode parecer bobagem, apenas um selinho, mas é a comprovação de que o que você escreve está sendo visto e digerido. Em quase 2 anos de blog, entre altos e baixos, entre abandonos e retornos, finalmente vejo que há uma interação muito boa no mundo dos blogs, coisa que eu não tinha percebido logo que me aventurei como blogueiro. Tenho lido muita coisa boa, há muita leitura interessante e frutífera nesse universo.

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Agradeço ao Búfalo do Não ser ou ser pela indicação do meu blog. Ver o nosso trabalho reconhecido é realmente prazeroso. Assim como ele, posso afirmar que escrevo por pura satisfação, mas há pequenas coisas que nos impulsionam ainda mais.

Seguem as regras do selo para que os futuros contemplados possam dar continuidade:

1- publicar o selo em seu blog e dizer de que blog recebeu,colocando o link do mesmo;
2-publicar a história e o motivo do selo;
3-repassar o prêmio selo a três blogs,sendo que o selo não pode ser enviado ao mesmo blog por mais de uma vez(assim mais blogs poderão ser homenageados);
4-publicar no blog o endereço dos homenageados e avisá-los que receberam o selo. Então, gente, eu desejo que esse selo sirva de exemplo e que consiga conquistar o seu objetivo que é a união de todos e o amor ao próximo. (Regganata).

Acho injusto escolher apenas 3 dentro de um mundo tão rico de bons escritos, mas vou procurar contemplar, também, os que ainda não foram escolhidos e que merecem ter seu blog divulgado.

Eis os meus escolhidos:

1 -Taberneira (blog super bem-humorado, uma visão bem teen-ácida do mundo): http://taberneira.wordpress.com

2 – Fernando Mendonça (pra quem curte cinema e quer ter uma visão bastante peculiar e crítica dessa arte, além de indicações e comentários de filmes cult que o blogueiro assiste e registra no blog, deve visitar o site): http://nandodijesus.blogspot.com/

3 – João Paulo (gosto muito da sensibilidade dos textos do blogueiro. Sempre muito ligados à sua vivência e à sua percepção das coisas que o rodeiam): http://jpsfernandes.wordpress.com/

mm1Quem ler esse post vai dizer que não tem quase nada a ver comigo, mas não estranhem. É que pensei no seguinte fato essa semana: não sei se teria tranco pra ser celebridade. Desculpem os termos, mas é isso mesmo! Essa semana em meio a notícias fúteis encontro a tão badalada foto de Madonna vista com seu mais novo “bibelô”, seu mais novo brinquedinho, o modelo brasileiro Jesus Luz, noticiava a mídia especializada em fofocas e em fuçar a vida alheia. Mais tarde encontraria uma reportagem sobre Ronaldo, o já não tão fenômeno, declarando não dar entrevistas a uma Rede de Tv que havia feito dele motivo de piadas. Acreditem, não era a Rede Globo! Segundo o próprio Ronaldo a Globo era a sua casa. Acho bastante interessante o fato de Ronaldo declarar isso, pois o Casseta e Planeta fez dele motivo de chacota com o personagem Fofômeno, zombando dos quilinhos  a mais que ele tinha e quantas e quantas vezes nao vi Jô Soares fazer gracinhas, piadinhas com a história dos travestis? Certas hipocrisias e acobertamentos das celebridades e seus assessores são desprezíveis. Segundo alguns fofoqueiros de plantão tem celebridade (ou sub) que liga e diz o local onde estará, com quem estará e o que irá fazer para simplesmente estar nos holofotes ou na notícia fantástica do dia. E a mídia fofoqueira entra no jogo sempre criando novos modelos para explorar, é a  apresentadora ou atriz sempre com novo namorado, a mulher do presidente na capa da Vogue ou ele na capa da Men’s Health.

ronaldo-fenomeno O fato é que esse tipo de mídia tem seu lado venenoso. É uma balança em constante movimento pendular e aquele que hoje está  em cima, bem visto, bem cotado, amanhã poderá ser a bola da vez da desgraça. Que importa se o jovem rapaz mineiro é objeto de Madonna? Melhor: ela está crescendo às custas dele? Porque pelo que sei ela já tem uma carreira mais que sólida, uma conta bancária poupudíssima e se levarmos em conta tudo isso, maldosamente concluímos que é ele quem se aproveita dela e constrói a sua imagem, a sua cotação no mundo dos modelos. Afinal, ele é o namorado da rainha do pop. Será que chegaram  a essa conclusão simplesmente por que o viram carregando sacolinhas de compras pra ela? Interessante que se os namorados de famosas carregam as sacolas eles são capachos, escravos e não cavalheiros. É um tanto paradoxal pensar assim, em como se constrói e desconstrói uma imagem tão facilmente, de como tudo que é sólido se desmancha no ar. Depois o outro, o fenômeno, não consegue perder um grama sem a mídia correr e registrar. Se ele vai ao parque andar de bicicleta registram, se vai a um bar e toma um gole de caipirinha a conversa já diz que ele saiu com prostitutas, se ele treina dizem que estava lento demais… A mesma mídia que o exaltou como um dos maiores jogadores de todos os tempos é a mesma que fez do caso dele com travestis um fato que correu o mundo inteiro. Enfim, é deprimente perceber como essas pessoas têm suas vidas vasculhadas sempre. O que elas fazem ou não, se erram ou acertam, não nos cabe julgar. É que antes de serem celebridades elas são todas seres humanos passíveis de falhas, de erros.  Não sei se teria emocional para isso, para ter a vida rasgada aos quatro ventos. Melhor: é tanta mentira (às vezes nem tanto, sabemos), tanta bobagem, tanta falta do que fazer (minha nessa hora kkk – também há tempo pro lixo -  e deles) que é melhor nem emitir opinião a respeito do que viria a acontecer.

Agora a pergunta fatal: o que nos sobra de tudo isso, de tanta invasão da vida alheia? Queria muito saber em que vou crescer ou receber contribuição ao saber da nova cor do cabelo da atriz, da roupa nova do ator, do que veio divulgar o filme, da loja que um outro visitou, dos quilos que um perdeu, da sacola que o outro carregou, do beijo dado ou do jantar com amigos? Eu continuo minha vida longe dos holofotes e agradecendo aos deuses pela graça condedida.

compliance_definition Há dias em que nada nos satisfaz. Um tédio tremendo nos abate, nos toma, faz-nos um verdadeiro escravo dele. Há dias em que nos sentimos obrigados a não sermos obrigados a fazer nada. No sentido literal da coisa ficar apenas de papo pro ar. Dormir o dia inteiro, esquecer que existe telefone, relógio, televisão, livros pra ler, obrigações… Tudo que se quer é desligar a conexão, a antena que te liga ao mundo e afastar-se de tudo que é obrigatório.

Obrigação. Há um certo tempo venho me incomodando com a imagem que as pessoas criam de nós acadêmicos. Não sei de onde se tirou a idéia de que acadêmicos são intolerantes máximos de todas as coisas e que se trancafiam em seus mundos, suas clausuras, verdadeiras redomas de vidro. Quem disse que muitos de nós não pode comer junk food, ler best-sellers, ver séries bobinhas, assistir besteirol, ouvir música brega de doer, ver aqueles programas para os quais muitos torcem o nariz, estar em forma? E quem disse que não somos vulneráveis, humanamente suscetíveis a tudo? Que não falamos palavrão, que só gostamos de Shakespeare? Há que se desmistificar muita coisa. O que quero esclarecer é que nem tudo realmente desce na peneira das nossas escolhas. E eu incluiria nesse rol uma série infinda de coisas, desde livros até pessoas, mas não significa que somos um bicho-papão e acabamos destruindo acidamente tudo que passa à nossa frente e não nos interessa.

Nesse cenário de escolhas entra em cena uma doce palavrinha já citada em outros posts: intolerância. Ser obrigado a ser tolerante? Quem disse isso? Por que preciso ler Dostoiévski, Cervantes ou Chekov apenas para exibir status na academia? Para que exibir títulos fúteis que muitas vezes não me preenchem a alma? E porque ter que montar mil projetos simplesmente para ter que provar aos outros que sou capaz? Há horas em que não me obrigo a gostar de mim mesmo, imagine me obrigar a satisfazer e amar o mundo. Preciso ver a lista interminável de filmes que meus amigos viram? Ler todos os títulos indicados naquele curso de pós-graduaçao? Ou ter uma biblioteca infinda de títulos internacionais para “apenas exibir” que sou um ser pretensamente cosmopolita? Ainda: preciso ser sempre engomadinho, educado, zeloso, exemplar? Não posso nunca falar alto por que sou acadêmico… E aí um olhar venenoso te fuzila de longe ao te ver no shopping comendo batata-frita com cerveja e acaba de morrer diante daquele olhar o terno professor de literatura que discutia Dickens, Shakespeare e Clarice Lispector. Pronto: perdi a identidade supostamente intocável e virei um bebarrão. Talvez o mundo precise ficar cego para certas questões.

pesadelo

Há muito, mas muito tempo mesmo ele andava tendo sonhos. Seria melhor dizer pesadelos. Metaforicamente eles queriam dizer-lhe algo, mas ele não conseguia decifrar absolutamente nada. E eram quase sempre sonhos realmente assombrosos, tristes, de muita agonia, de lágrimas correndo aos olhos. Acordava sem fôlego. Ontem ele estivera em um hospital, uma senhora acabara de fazer uma cirurgia. Ao lado da cama sua filha e o médico. Um olhar choroso com profundas olheiras na paciente, os cabelos loiros caídos sobre a colcha levemente suja de sangue. A filha com olhos verdes de esperança. O médico com os olhos negros da morte. Assustadoramente ele olhara para o alto e sobre a cama, uma espécie de câmara, todos os órgãos da paciente estavam pendurados em ganchos de açougue e respingavam. Era a visão da morte que ali estivera. Rins, fígado, coração, intestinos, estômago… tudo prontamente exposto e ainda vivo. Sob o olhar atônito da filha o médico anunciara: está morta! E ainda que atônita ela relutasse uma melhora devido à cirurgia bem sucedida o médico nada mais podia fazer. E então ele acordou do doloroso pesadelo que era a vida!

Prometi que meu próximo post seria este e entro 2009 cumprindo promessas. Minha amiga Rose, do blog Academia me enviou este presente de grego. Tu não imaginas, Rose, quão difícil é tecer mesmo que sejam breves linhas sobre a gente. Falar de qualquer outra coisa é bem mais fácil que de nós mesmos. Mas vou tentar arrancar umas coisinhas a meu respeito. O presente tem algumas regras que peguei do blog do Daniel, que foi quem enviou pra minha amiga Rose.

1 – Tenho ficado cada vez mais intolerante com algumas coisas e pessoas, principalmente. Sou ranzinza e explodo facilmente quando vejo que querem se aproveitar de mim me taxando de “bonzinho”. Odeios pessoas muito boazinhas porque aos olhos dos outros não passam de fantoches. Minha tolerância com o ser humano tem sido cada dia menor. Mas não sou descrente de tudo, ainda há quem salve a pátria. Assim, Rose e Jon, sejam bem vindos ao clube porque temos características iguais. Um outro aspecto que considero terrível é o julgamento sem conhecimento de causa. Há alguns meses escrevi um post intitulado Hamlet inopinadamente deu-me as mãos. Lendo alguns comentários feitos no/ao meu blog encontrei no google um blog ridículo no qual a blogueira julgava o meu post como sendo de um metido a metrossexual, que bebia e batia em mulher. Uma atitude mesquinha de gente que sequer sabe julgar o que lê. Mas nem a criaturas como essa dou crédito, tanto que me privo de dar nome à vaca. Eis a prova de que não consegui me livrar do fato de ser vingativo.

2 – Adoro gatos. É algo que desde criança me persegue. Já cheguei a ter 13 gatos. Hoje possuo 2 gatas chamadas Circe e Medéia. Devo confessar que amo bichos no geral, mas tenho um certo receio de cachorros porque quando criança levei muita carreira deles e quase fui mordido.

3 – Natureza. Há coisa mais bonita que o azul do mar? Um céu estrelado? Um dia chuvoso com direito a nuvens pesadas, raios e trovões? Desde criança tenho uma forte ligação com a água e um forte fascínio pelo fogo. Talvez isso me faça profundamente sinestésico. Gosto de sentir! Não há nada mais forte e intenso que o toque, o olhar, o cheiro, a audição e o sabor quando sentidos com a alma.

4 – Livros. São o meu universo, a minha vida cotidiana, a construção do meu conhecimento, meus companheiros na solidão e na alegria, meus caminhos a trilhar, minhas descobertas, minhas angústias e felicidades mais desejadas. Sou viciado em comprá-los. Vivo da literatura e das línguas e sou muito orgulhoso da minha escolha profissional. Não sou como muitos profissionais do ensino que odeiam o que fazem. Amo a minha profissão e estudo para que possa delinear bons caminhos e partilhar com os outros um pouco do que tenho aprendido ao longo da vida. Além de ler gosto muito de escrever, de criar universos. A imaginação é o meu caminho dos tijolos amarelos.


5 – Sou muito família e amo minha terra. Faço de tudo pra ter as pessoas da família perto e compro uma boiada pra entrar na briga com quem se mete com algum deles. Sou capaz de doar tudo que tenho em nome da felicidade deles. E ainda adoro o colinho de mainha.

6 – Tenho estado cada vez mais fechado pra novas amizades, ando controlando minha dieta, entrei na academia e quero ter um corpo saudável, pretendo fazer doutorado, não durmo quase nada à noite, respondo certas coisinhas na bucha, sou extremamente auto-crítico, um dia voltarei a fazer teatro, odeio pessoas preconceituosas, detesto sol forte, estou um pouco decepcionado com o mundo acadêmico, ultimamente tenho escolhido entre a cama e a casa, invés de ir pra rua. O fato é que adoro dormir muito tarde e odeio acordar cedo.

Como não tenho muitos amigos no blog  e alguns dos que tenho já receberam o presente de grego vou passar o presente para apenas 2 pessoas. Vamos lá:

Eveline Alvarez

Fabrícia Kalline

Entra 2009 e o que posso confessar é que minhas esperanças de que seja um ano frutífero são as melhores. Comecei cumprindo parte das promessas feitas nas resoluções: academia e dieta. Cortar mais os tentadores doces e comer menos carboidratos (tenho exagerado nas massas). Começo o ano com uma preguiça horrenda, uma vontade ínfima de fazer qualquer atividade que não seja dormir e dormir. Horas na net, acordar tarde… são esses hábitos ridículos que devo retirar completamente de minha vida. As festas de fim de ano com a família aqui no Natal e depois ano novo foram muito boas. Foi quase uma inauguração da casa nova! Adoro receber as pessoas que amo!

Aos poucos vou separando materiais para estudar, organizando planos, pagando contas, brincando aqui e ali com meu sobrinho que está nos visitando e tentando ser menos intolerante com algumas coisas. É difícil mudar da noite pro dia! Mesmo esse blog, que passou anos sem funcionar, já teve sua devida reabilitação, um sinal de que eu tenho conserto kkk! O ano promete muito trabalho. Em algumas semanas devo voltar às aulas, corrigir milhões de coisas pendentes, resolver notas finais, organizar diários, planejar novas aulas, projetos, metas. É aí que devo colocar em ação uma característica que pouco me pertence: ser DISCIPLINADO.  Sou muito inquieto  e acabo fazendo mil coisas ao mesmo tempo, mas com o passar dos dias descobri que não adianta querer ser mil e acabar não sendo ao menos um que preste. Prefiro, a partir de agora, realizar uma atividade por vez, desde que seja concluída com êxito.

2009 entrou mesmo cheio de coisas boas. Uma delas foi a minha volta ao FESERP (Festival Sertanejo de Poesia), um prêmio promovido pela Acauã Produções Culturais, grupo do qual fiz parte por quase 5 anos. É muito bom ver que ainda existem pessoas profundamente irmanadas pela arte. Reencontrei amigos, conheci novos, ouvi boa música, poesias, vi apresentações muito interessantes de música e danças populares e participei de um programa de rádio.

Nunca participei tanto do Book Club da BN. Nas discussões do A fortunate age quase não tenho ido, porém, nas discussoes das obras clássicas estou cada vez mais empolgado. É muito bom ver que as pessoas lêem e interagem a partir do que você escreve. Os moderadores sempre mandam algo sobre nossas opiniões. Os temas são variados e incluem até mesmo discussões sobre adaptações da literatura para o cinema. Esses dias reli vários contos de Poe simplesmente pelo fato de ter que participar das discussões. O melhor é que elas continuam abertas, independetemente do prazo de discussão ser estabelecido em calendário (tudo é muito organizado por lá).

Estou devendo a tarefinha de minha amiga Rose. Ganhei dela um presente de grego e tenho que falar 6 coisas aleatórias sobre mim. Meu próximo post, prometo, será a resolução da tarefa. Também prometo ler e escrever mais em 2009. Fazer desse blog mais literário e organizar minha produção.

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Quero registrar o quanto estou adorando a viagem pelo universo de Maysa. Inicialmente julguei-a como uma doidivanas, uma inconsequente, mas depois, revendo os capítulos pelo Youtube percebi quão grande era a luta existencial dessa mulher. Maysa chorava nas canções, seus versos eram lágrimas, suas estrofes eram angústia abafada pela vida e liberta na poesia. Maysa era dois olhos e uma boca, olhos eternos e pacíficos, como diria Manuel Bandeira. Mas cantava, sim, com o coração… triste… melancólico.  E que bom descobrir Dolores Duran em Maysa, também magistral em “Por causa de você”. Em tempos de músicas cada vez mais descartáveis, ouvir música de qualidade em canais abertos é sinal de fim dos tempos. Sendo assim, que eles venham.

Dentre as fortes canções da cantora destaco “Resposta”:

Ninguém pode calar dentro em mim
Essa chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Eu não posso explicar quando foi
E como ela veio
E só digo o que penso
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
Se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim

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