Com espírito suave, vou pela estrada aberta…

Lembrei-me da Canção da manhã feliz cantada por Maria Betânia em um de seus mais interessantes cds: Imitação da vida. Hoje o meu dia foi tomado por essa manhã luminosa e radiante. Parece que uma onda de alegria, de luz, acabou enchendo os meus dias de positividade. Fui invadido por um otimismo que não sei de onde veio. Talvez o fato de as pessoas ao meu redor sempre estarem ligadas ao “sim” tenha me influenciado na aquisição desse espírito agradável. Essa semana recebi uma poesia de um ex-aluno meu, um texto do adorável Walt Whitman, um trecho extraído do envolvente poema “Canção de mim mesmo”. É com o espírito liberto e suave que sigo e espero os dias que ora se apresentarão. Positivos, sempre!!!

Canto da estrada aberta

A pé e de coração leve
Eu enveredo pela estrada aberta,
Saudável, livre, o mundo à minha frente,
À minha frente o longo atalho pardo
Levando-me aonde eu queria.

Daqui em diante não peço mais boa sorte,
Boa sorte sou eu.
Daqui em diante não lamento mais,
Não transfiro,não careço de nada;
Nada de queixas atrás das portas,
De bibliotecas, de tristonhas críticas;
Forte e contente vou eu
Pela estrada aberta…

Walt Whitmann

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Hamlet inopinadamente deu-me as mãos…

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Hoje estou irmanado com Hamlet, o príncipe da Dinamarca, personagem de William Shakespeare. Na casa vazia, o espírito de solidão e angústia me assola. Procuro amigos pra dialogar e não os encontro. Parece que a vida tratou de retirá-los todos de meu convívio quando o que eu mais queria era uma palavra amiga e de conforto. Estou impregnado de uma ansiedade boba, sorrateira e inquietante que me persegue há horas, talvez dias, dando-me a impressão de que tudo pode explodir ou implodir a qualquer instante em mim. É uma fase absurdamente tentadora para pensar em coisa nefastas, cruéis e aterrorizadoras. Talvez pensar em envenenar Gertrude ou Claudius. Ou agarrar-me aos pés de Ofélia no funeral insano e injusto. Atar-me aos pés e mãos da virgem no lago e ficar submerso nas águas banhadas pela sua pureza. Hamlet tem me dado as mãos nesses dias. Tem andado junto comigo por caminhos tortuosos e indesejados, tem sido fraterno ao me deixar possuir as suas reflexões e seus medos. Mas não tem dividido comigo soluções porque ele mesmo não as tem. Foi ele quem me deu a palavra bruta pra lapidar agora e transformar em catarse, em fluidez , brotando o sentimento que transborda em mim. Loas e flores a Hamlet, o amado príncipe da Dinamarca! Que me despeça dele com a certeza de que tomadas as decisões morrerei simbolicamente com o cerrar das cortinas e o fim do espetáculo.