Que da planta das desilusões brotem rosas e espinhos

Nas oscilações da existência, quero louvar as desilusões cotidianas, as tantas vezes que tenho sido tentado a tentar inúmeras vezes perfazer os mesmos caminhos – embora sabendo que nunca são os mesmos – e fazer a vida parecer um moinho, uma encenação circular e ritualística. Os deuses me assistem do alto e performaticamente atuo para que as luzes do espetáculo continuem acesas, as tochas, o fogo abrasador permaneça na chama intocável e inebriante dos olhares inertes perante as expressões dos corpos, as formas voluptuosas das indumentárias e o cheiro produzido nesse incensar de sinestesias, de idiossincrasias.

Tomado pela mão imaculada dos que constroem as tortuosas, sinuosas linhas serpenteadas adâmicas lanço-me ao pecado dos frutos comezinhos, das sementes do desejo inopinado dos dias e na incerteza de horas sempre impecáveis e limpas, torno-me mortalmente imortal em um eterno transitar de desilusões triviais e poeticamente profanadas pela boca dos loucos e indesejados poetas.

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