Rota: felicidade

barco (600 x 450)

Aprendi pelas andanças da vida que é preciso pular do barco certas vezes para que possa evitar seu próprio naufrágio, para que em atitude de luta ainda consiga se debater contra as águas e nadar até a margem mais próxima. Em algumas delas somos impelidos a pular do barco, a vida nos empurra impiedosamente contra as águas frias que brigam contra os ventos e havemos de travar lutas com uma dupla natureza. Outras vezes o barco chega mansamente ao seu destino, ainda que com certas turbulências no caminho, nada  atrapalha o rumo das velas. Amanhã talvez precise pular do barco, talvez precise enfrentar as incertezas das águas com as quais terei que lutar, os monstros marinhos que terei que enfrentar e acima de tudo os medos mais íntimos e mais aflituosos que estão em mim. Mas dessa vez estou certo de que a melhor opção é banhar-me nas águas tranquilas de minha consciência e, esperançoso, ter a certeza de que ao alcançar a margem haverá do outro lado um novo barco à minha espera e dessa vez eu serei o comandante de minha própria rota.

Sob a pele do nobre…

350px-Ingres,_Napoleon_on_his_Imperial_throne

De fato, seria relevante, ainda que por alguns instantes, incorporar as virtudes do famoso príncipe de Maquiavel: clemência, benevolência, humanidade, retidão e religiosidade. Agora, não acreditem que todas estas seriam amplamente distribuídas como pérolas aos porcos. Sim, quero a idéia dissimulada de ter cada uma dessas virtudes e, mais ainda, dissimulá-las descaradamente aos outros. O que me cansa é a verdade. É estar sempre de cara limpa prestes a ser esbofeteada, arranhada, dilacerada pelos tiranos e algemado não poder fazer absolutamente nada. Que esta face retribua em tons de sarcasmos ferinos virtudes tão nobres que jamais o ódio brote naqueles que assistem meu monólogo. Que invés da ira eu possa despertar afeição e sagazmente manipular, como um ditador disfarçado de ingênuo e canonizado ser, a massa dos impuros que me cercam.

A volta do filho pródigo

Return

Voltar traz sempre essa sensação de recomeço, de reconstruir cada pedaço de chão como se estivesse em luta diária construindo o próprio teto. Voltar é primordial, principalmente quando se sabe que a casa está confortavelmente de portas abertas. Ainda que desorganizada, com folhas de outono correndo desvairadas na força dos ventos. Arrumar cada canto, retirar grãos de poeira, reestabelecer cada papel, ter a certeza de que ainda que longe vozes de apoio ecoam, mãos amigas te conduzem pelas estradas do indizível e a palavra tem a sua força oculta suavemente desvelada.