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Da criança que apanhava do pai ao homem infeliz com as acusações de pedofilia, de rosto transformado por inúmeras cirurgias, amores infelizes e de filhos sem mãe, muitas são as imagens que bombardearam em nossa tv através dos noticiários ou mesmo em revistas e jornais. É inegável que atrás de tudo isso havia uma pessoa talentosa, um verdadeiro talento, um show man. Michael era único em voz, dança, vestuário, composições… não é à toa que logo reconheceram-no como “o rei do pop”. O que também é inegável é que os mesmos que alçaram a carreira do cantor na mídia foram os que o destruíram. A meu ver, talvez por admirá-lo desde criança, seja lá o que verdadeiramente tenha acontecido diante de todos os fatos até aqui, Michael Jackson foi uma grande vítima, massacrado pela mídia , explorado pelos produtores e por todos que acabaram em pouco tempo derrubando a história alçada com tanto sacrifício pelo menino que apanhava do pai com fios de ferro na infância. O fato é que agora, talvez cansado, talvez mal-entendido ou mesmo nunca tendo conseguido alcançar o que sempre desejou, Michael foi uma grande vítima do algoz que ele mesmo criou: a fama. Aqui questiono: até onde vale a pena entregar a própria vida em nome do luxo e da carreira? É fato que um talento nato como Michael Jackson não passaria ileso, tanto que seus passos e canções atravessaram gerações e ficarão eternos. Ele não foi diferente de outros que sofreram as agruras da vida de sucesso.

Não poderia deixar de falar aqui, neste blog, sobre aquele que de certa forma marcou a vida toda uma geração.  Apesar de tudo que foi noticiado durante todos esses anos nunca deixei de gostar da música do cantor e continuarei a admirá-lo. A notícia da morte de Michael Jackson certamente foi um choque para mim e para muitos. Impossível não lembrar de Billie Jean, Thriller, Black or White, Bad, Ben e das agradáveis e dançantes canções do Jackson Five. Entre os fatos  ocorridos com o cantos que mais me admirou ao longo desses anos foi a estranha transformação do seu rosto. Nunca se soube o real motivo de tantas transformações. Talvez tenham sido frustrações de um menino cuja imagem era  horrendamente negada pelo pai, que julgava-o de nariz bizarro quando adolescente. O fato é que Michael cresceu cheio de traumas de sua infância e com eles construiu uma personalidade afetada por fantasmas eternamente recorrentes.

Prefiro lembrar da imagem do cantor nos palcos invés de aliá-lo à solidão visível no seu olhar através das entrevistas ou mesmo do homem que pode ter tido uma overdose.

Só agora, Michael, todos gostam de ti e te julgam o “rei do pop”! Por anos, foste o pedófilo, o menino problemático,  o pai perturbado, o homossexual frustrado, o negro que negava a negritude, o dependente químico, o E.T., o motivo de chacota dos jornais, revistas e TVs… Michael, only at present “they care about you”!!!

A música perde um talento e silencia! Michael, descanse em paz!

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É preferível a mimese que o vazio inverossímil.

“Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre.”

Clarice Lispector

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Um dia perfeito para uma introspecção: essas frias claridades que o sol projeta, como um julgamento sem indulgência, sobre as criaturas, entram-me pelos olhos; estou iluminado por dentro por uma luz empobrecedora. Tenho certeza de que bastariam quinze minutos para que eu atingisse a suprema repugnância de mim mesmo. [...] Permaneço sentado, balançando os braços, ou então escrevo sem entusiasmo algumas palavras, bocejo, espero o cair da noite. Quando estiver escuro, os objetos e eu sairemos do limbo.

(A Náusea, Sartre)

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Há quem diga que é preciso um longo tempo para amadurecer e que só longos períodos trazem aprendizados sólidos para toda a existência. Aprendi em um período mais curto do que eu imaginava coisas que eu levaria toda uma vida para saber, ou talvez já estivesse latente em mim toda essa sabedoria e eu não tivesse atentado para essa percepção. Gestos, palavras, atitudes castradoras, hierarquias postas em jogo, reprovações de atitudes aparentemente inocentes e imaturas, idoneidades postas em questão, falsas “inexperiências” simuladas em um carteado onde esconder uma carta na manga é fruto de um jogador esperto e veloz, sonhos podados, peitos apunhalados e línguas ferinas destilando peçonha. Há quem diga ter percorrido longos caminhos e que a força da experiência dos dias teria lhes trazido vantagem para crer que aquele que pouco caminhou tenha um olhar menos racional ou menos valoroso sobre as coisas. Pobres daqueles que não veem que é melhor observar que falar! E nessa experiência de observação posso dizer que aprende-se muito mais do que acredita-se aprender falando, julgando, desorientando, excedendo em gestos, apresentando vantagens que ora sabemos ser muito mais desvantajosas e mesquinhas do que aparentemente são. Cheque-mate! Matemos reis e rainhas e deixemos aos pobres plebeus a certeza de que tempo e experiência são opositores fatais, embora nem sempre.

“Muito teria de dizer sobre esse contentamento e essa ausência de dor, sobre esses dias suportáveis e submissos, nos quais nem o sofrimento nem o prazer se manifestam, em que tudo apenas murmura e parece andar nas pontas dos pés. Mas o pior de tudo é que tal contentamento é exatamente o que não posso suportar. Após um curto instante parece-me odioso e repugnante. Então, desesperado, tenho de escapar a outras regiões, se possível a caminho do prazer, se não, a caminho da dor. Quando não encontro nem um nem outro e respiro a morna mediocridade dos dias chamados bons, sinto-me tão dolorido e miserável em minha alma infantil, que atiro a enferrujada lira do agradecimento à cara satisfeita do sonolento deus, preferindo sentir em mim uma verdadeira dor infernal do que essa saudável temperatura de um quarto aquecido.”

(O Lobo da Estepe, Hermann Hesse, trad. Ivo Barroso)

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Ah! Este silêncio cortante que dilacera os dias e jamais alivia a alma, amargo fel perseguidor.

Cacos de vidro jamais serão vaso renovado,  haverá sempre remendos na essência.

Palavras fogem, tornam-se elemento efêmero. O que tento registrar já nem significa mais o que sinto. Lembro Clarice, recorro aos livros, procuro em páginas manchadas pelo tempo uma espécie de redenção momentânea nas vozes que ecoam nas manchas negras do papel. Nada me ocorre. Os livros são meus queridos e desejados inimigos mais fiéis.

Há dias tenho corrido por esse labirinto e só consigo enxergar a sombra do Minotauro a me espreitar ao longe e zombar de meus cálculos tolos e vãos em busca da saída. Procuro escalar os muros e vejo ante meus olhos uma imensidão escura de paredes, becos, reentrâncias, ângulos… Ao longe algo me acena em busca de uma resposta para os meus anseios. Respondo-lhe com um muxoxo, um sinal de desagravo. Que ele encontre respostas para os seus próprios anseios antes de escavar as angústias alheias.

Descubro em páginas emprestadas letras que não são minhas. Alguém as invadiu inadvertidamente, rasurou a existência, corrompeu-as com líquidos indesejáveis, escreveu em linhas certas a vida indesejada.

As horas passam e me vejo invadido pela sensação de estar sendo dizimado. O tique-taquear do meu relógio mental avisa diariamente à hora estranha do crepúsculo que meus dias estão contados e uma taquicardia inopinada invade meu peito.

Pequenas ações maculam o que me resta dessas horas. Temores, dissabores,  grandes aflições indesejadas, traços de que o cansaço e a falta de fé no ser humano estão cada vez me tirando de mim mesmo.

Quero de volta a sã loucura que me tomaram!

Imagem: Robert and Shana ParkeHarrison

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MEU DEUS ME DÊ A CORAGEM – Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

ORFÃ NA JANELA – Adélia Prado

Estou com saudades de Deus,
uma saudade tão funda que me seca.
Estou como palha e nada me conforta.
O amor hoje está tão pobre, tem gripe
meu hálito não está para salões.
Fico em casa esperando Deus,
cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,
querendo um pôster dele, no meu quarto,
gostando igual antigamente
da palavra crepúsculo.
Que o mundo é desterro eu toda vida soube.
Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai pra casa onde está meu pai.

Imagem: O olho de Deus – Nasa

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Mais de um mês distante desse espaço. Era preciso voltar. Nesse tempo tanto aconteceu. Aos que deixaram sua força para minha gatinha eu agradeço muito. Ela foi cirurgiada e sobreviveu à operação tendo reagido melhor do que esperávamos. Ando ansioso agora com a situação de meu pai que, aos 75 anos, começa a ter crises de esquecimento. Estamos em fase de diagnóstico, fazendo mil exames e torcendo pra que nada de ruim venha a acontecer.

As leituras começam a ser retomadas e as decisões do trabalho inevitavelmente começaram a aparecer. Estou envolvido em mil projetos. Monitoria, coordenação, extensão, aulas e possivelmente estudos para o doutorado. Prometi que não voltaria a me preocupar com esse danado, mas vejo que se quiser realmente me firmar por aqui preciso realmente dele, uma vez que, o que tenho percebido é que mestres andam cada vez mais em desuso e não estão nada in. Por isso, é hora de por a mão na massa, ou melhor, os olhos nas leituras e começar a ir pensando meu projeto ainda para esse ano. Ele está lá nas minhas resoluções para 2009 se alguém ainda lembra.

Falando nelas, é interessante ver como boa parte acaba sendo descumprida naturalmente, como as coisas sempre tomam rumos inesperados na nossa vida. Esses dias tive que suportar minhas próprias pressões psicológicas e ter muita sabedoria pra tomar uma decisão árdua que poderia mudar completamente o rumo da minha vida: optar entre um concurso distante da família e, passando, ter uma situação financeira amplamente melhor ou estar perto dos que amo, ganhando bem menos e apoiando meu pai nesse momento difícil?. Entre tantas escolhas que já fiz e entre tantas abdicações deles por mim, pesei o emocional aliado ao racional. Posso esperar um pouco mais, deixar meu egoísmo de lado, ser paciente, usar minhas virtudes e saber que, se ainda tenho forças pra lutar, seja hoje ou amanhã, a vitória virá. E para a felicidade geral da família, fiquei. Sinto que sou uma espécie de porto pra eles e cheguei muito longe, um caminho que dificilmente eles poderão percorrer. Tenho um amor imenso por eles e uma necessidade tremenda de ajudá-los. Isso me conforta e me faz querer ir cada vez mais longe.

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Cruzou os dias com a lança da angústia cerrada no peito. Como um cavaleiro lutando pela própria sobrevivência, digladiando com ele mesmo, não se entregou . Nesse inconstante e quase fatal momento, quando ainda lhe restavam esparsos, parcos sopros de vida agarrou-se à agulha atravessada na mão, convertida em densas gotas de redenção e com ela recosturou as linhas da vida.

Fonte da imagem: http://www.jrcigarblogs.com/?p=2597

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Se você tivesse que optar entre a vida e a vida? E se tivesse que optar entre a vida e a morte? Entre a vida de um estranho e a morte de um conhecido ou o contrário? E se a vida do conhecido estivesse atrelada à do estranho? Pois é, é uma decisão dificílima de se tomar. Quando criança ou adolescente, até mesmo já adulto, sempre via  na tv casos qu figuravam a dolorosa decisão de manter a mãe viva e matar o filho na hora do parto. E já ouvira de minha mãe um caso da mulher de um conhecido nosso que morrera com o bebê na barriga. Talvez me achem doido em transferir essa história para o caso de um animal, mas notem que aqui estamos falando de VIDA e para mim tudo que respira, se move, cresce, tem dor, fome, sede, necessita de carinho é ser vivo e merece o nosso respeito por se encontrar no mesmo patamar que nós.

O problema é com a minha gatinha Circe. Após ter tido os bebês de sua segunda cria tudo indica que ela entrou novamente no cio. Mas gata de cio silencioso é coisa difícil de se identificar. Ela não dá quaisquer sinais de que está nessa fase. E olhe que gato é um bicho escandaloso quando está no cio. 60 dias após o parto, depois do desmame, ela começou a querer andar pelos telhados e aí não deu mais pra segurar. Pior também foi não termos ouvido ou visto quaisquer sinais de envolvimento dela com os gatos. Ela ia e voltava, mas sem barulhos. Acreditando que ela pudesse apenas estar querendo sair, duas semanas depois nós a levamos ao veterinário para verificar se ela estava prenhe e ele não acusou sinais. Devido a esse fato, por não estarmos em condição de fazer a laqueadura, aplicamos a vacina anticoncepcional, que na verdade é uma bomba de hormônio. Depois do esclarecimento de todo o mal que esta vacina traz não recomendo a ninguém que faça aplicação deste tipo de produto em seus animais. A melhor opção é mesmo a laqueadura. A vacina poderá causar câncer de mama ou mesmo a piometra, uma espécie de infecção uterina que poderá causar a morte do animal em até 48 horas, quando a doença estiver em estágio avançado.

O fato é que depois de 45 dias de aplicação Circe começou a inchar e aí pensamos no óbvio: está prenhe. Inevitável fato. Levamos ontem novamente a 2 veterinários, desta vez não mais na mesma clínica. Na verdade, o que os dois acham é que ela teve um forte distúrbio hormonal em virtude da vacina. Os fetos estavam lá, foi o que se supôs, mas eram muito difíceis de serem detectados, tanto que o veterinário apenas teria certeza disso se fizéssemos um raio-x da barriga dela. Mas aí veio a nossa preocupação entre a indicação de um hemograma e um raio-x e a decisão de deixarmos os fetos se desenvolverem. Faltam exatamente 17 dias pra o fim da gestação e tudo indica Circe desenvolveu a piometra, diagnosticado devido ao volume uterino. Acredita-se que a doença esteja em estágio inicial e tem cura com remédios ou com a retirada do útero. Um dos problemas está em saber se os fetos são viáveis ou não. Eles podem estar mortos ou nascerem deformados e a vacina impediria que a gata tivesse as contrações e a força necessárias para expelir os gatos e, provavelmente, morreria no parto.  Diante de todo esse quadro resolvemos optar pela vida de Circe. Vamos operá-la, retirar o útero e com isso, também, retirar os fetos em desenvolvimento. Vou pedir ao veterinário que sequer me mostre alguma coisa. Uma decisão como essa é como escolher a morte de crianças, é um aborto. Acho que essa situação serviu pra me alertar sobre uma grande questão: que a vida prevaleça e que façamos o máximo para conservá-la. Erramos? Sim. E esperamos nunca mais repetir esse erro. Que tudo corra bem na cirurgia e que logo possamos estar novamente brincando com nossa menina. Fico aqui de coração na mão, enquanto ela está sendo cirurgiada. Exagero? Não! Amor.

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